quarta-feira, 14 de setembro de 2011

A BOLA DOURADA

::Borries von Munchhausen::



"O que recebi pelo amor de meu pai
eu não lhe paguei,
pois, em criança, ignorava o valor do dom,
e quando me tornei homem,
endureci como todo homem.

Agora vejo crescer meu filho,
a quem amo tanto
Como nenhum coração de pai se apegou a um filho.

E o que antes recebi
estou pagando agora a quem não me deu nem vai me retribuir.
Pois quando ele for homem
e pensar como os homens, seguirá, como eu,
os seus próprios caminhos.

Com saudade, mas sem ciúme,
eu o verei pagar ao meu neto o que me era devido.
Na sucessão dos tempos meu olhar assiste,
comovido e contente,
o jogo da vida: cada um com um sorriso,
lança adiante a bola dourada,
e a bola dourada nunca é devolvida!"


Mencionado no livro de Bert Hellinger, "No centro sentimos leveza", como forma de trazer a tona a imagem da troca entre gerações, o "dar" e o "tomar".

PRIMEIRO, PRECISAMOS SABER O QUE QUEREMOS!

:: Rosana Braga ::



Existe uma piadinha sobre um sujeito que entrou no elevador de um edifício e, ao ser questionado pelo ascensorista sobre para qual andar ele desejava ir, respondeu:
- Para qualquer um, senhor. Já estou no prédio errado mesmo...

Ou seja, quando não sabemos onde estamos e nem para onde estamos indo, qualquer lugar serve! E por mais absurda que possa parecer essa analogia com o quanto algumas pessoas estão perdidas, quando se trata de seus próprios desejos, pode acreditar que não é!

Muitas vezes, o desejo é tão amplo e genérico que a pessoa não consegue fazer escolhas, não consegue se sentir satisfeita com nada do que vive e a impressão que tem, na maior parte do tempo, é a de que existe um buraco dentro dela que se torna cada dia maior e mais difícil de ser preenchido.

Até faz novos contatos, conhece pessoas legais, inicia relacionamentos interessantes, experimenta momentos que lhe parecem bastante reais, mas... logo depois a sensação de que nada daquilo faz sentido retorna de forma ainda mais avassaladora.

Algumas vezes também acontece de estar vivenciando um encontro realmente especial, no qual ela se sente, enfim, parte de um todo que se encaixa, que finalmente lhe devolve aquela certeza de que depois da tempestade vem mesmo a bonança.

No entanto, sem mais nem menos, de repente, é o outro que simplesmente se desencanta e vai embora. Ou pior do que isso: sem sequer dizer o motivo ou dar qualquer explicação a que todo ser humano pensante teria direito, desaparece feito nuvem. E de novo, mais uma vez, a pessoa é remetida àquele lugar infernal onde a única resposta é que tudo se escafedeu! Assim, ridiculamente assim.

Se você já passou por isso, sabe o quanto é péssimo esse período da existência em que a gente passa a ter medo de falar, de se expressar, de respirar errado, de ir rápido ou devagar demais. Enfim, passa a acreditar que não sabe o que fazer para não estragar tudo, ou não deixar as coisas piores do que já estão...

Só que o problema é justamente esse: falta de posicionamento, de clareza, de percepção de seus recursos internos. Muito provavelmente, está faltando planejamento, uma rota detalhada que aponte o caminho pelo qual você realmente deseja seguir. E assim, perdido, você passa a entrar de prédio em prédio, de elevador em elevador, descendo em diversos andares, sem nunca encontrar a porta, a sua porta!

Para viver o amor que você deseja, as experiências que sempre quis e conseguir aproveitar o melhor da vida, você precisa, antes de mais nada, saber o que quer. Refletir, questionar-se, perceber-se, aprender a diferenciar o que são seus verdadeiros sentimentos e o que não passa de ecos gritantes de sua ansiedade é fundamental para desenhar o mapa que o levará até o seu tesouro mais precioso.

Em vez de desperdiçar seus dias e suas flechas atirando para todos os lados, pare! Aquiete-se! Ouça seu coração, sua intuição. Olhe para os lados e vá descobrindo o que realmente faz sentido para você, o que realmente o faz feliz. O resto são apenas armadilhas. Mantenha-se atento e focado naquilo que quer e desvie dos perigos que, na maioria das vezes, são nossos próprios medos transformados em dificuldades.

E assim, sem se distrair, da próxima vez que for questionado sobre para qual andar deseja ir, você saberá exatamente o que responder. Daí pra frente, a surpresa fica por conta somente de tudo de bom que poderá experimentar...

RAÍZES DO MEDO

:: Elisabeth Cavalcante ::



O medo é, sem dúvida alguma, o maior entrave para que levemos uma vida plena e feliz. Nós o assimilamos muito cedo, ainda na infância, pois, infelizmente, muitos pais utilizam o medo como arma educacional. Ameaçam as crianças com todo tipo de punição para obter obediência.
Portanto, não é à toa que nos condicionamos a temer, inicialmente o castigo, depois a rejeição daqueles de quem dependemos para sobreviver.

Não podemos culpá-los por isso, pois eles também foram educados no medo. Mesmo aqueles que tiveram uma educação mais liberal, sem tanto rigor, acabam contaminados pelo medo que predomina ao seu redor.

A sociedade em que vivemos se baseia no medo para obter o controle sobre as pessoas. Atualmente, a mídia é a principal responsável pela disseminação da energia do medo. Catástrofes e fatalidades recebem um destaque absurdamente exagerado e, quanto maior o grau de inconsciência daqueles que recebem estas informações, mais elevado será o medo.

Todos sabemos que a violência tem se ampliado nos últimos anos; ela é resultado da doença coletiva, do estado de adormecimento em que vive a maior parte da humanidade.

Aqueles que já adquiriram um grau razoável de consciência, precisam atuar como contraponto a esta energia e tentar levar um pouco de luz àqueles com os quais convivem. Mas, sem esquecer de que nem sempre será possível obter uma resposta favorável.

O despertar da consciência só acontece aos que estão prontos. Para muitos, a verdade continuará a passar despercebida, pois eles não serão capazes de enxergá-la. E não há nada que possamos fazer quanto a isto.
Mas devemos continuar tentando ampliar a corrente dos despertos, sempre e a cada dia, com a esperança renovada de que, aos poucos, mais e mais gotas se juntarão a este oceano.

"...Uma pessoa amadurecida deve desconectar-se de tudo que estiver relacionado com o medo.
É assim que a maturidade chega. Apenas observe todos os seus atos, todas as suas crenças e descubra se elas estão baseadas na realidade, na experiência, ou se estão baseadas no medo.
E qualquer coisa baseada no medo precisa ser imediatamente abandonada, sem um segundo pensamento. É uma armadura. Não posso dissolvê-la. Só posso simplesmente lhe mostrar como você pode abandoná-la.
Continuamos a viver a partir do medo - e assim vamos envenenando toda experiência. Amamos alguém, mas com base no medo: isso se deteriora, envenena. Buscamos a verdade, mas se a busca tiver base no medo, então você não irá encontrá-la.
O que quer que faça, lembre-se de uma coisa: Com base no medo você não irá crescer. Você irá apenas encolher e morrer. O medo está a serviço da morte.
...Uma pessoa destemida possui tudo que a vida quer lhe dar como um presente. Agora não há mais nenhuma barreira. Você será banhado com presentes, e tudo que você fizer terá um vigor, uma força, uma certeza, um tremendo sentimento de autoridade.
Um homem vivendo com base no medo está sempre tremendo por dentro. Ele está continuamente a ponto de ficar louco, porque a vida é imensa, e se você estiver continuamente com medo... E há todo tipo de medo. Você pode fazer uma lista enorme, e você ficará surpreso de quantos medos estão lá - e você ainda está vivo! Há infecções por toda parte, doenças, perigos, seqüestros, terroristas... E uma vida tão pequena. E finalmente existe a morte, a qual você não pode evitar. Toda sua vida ficará em trevas.
Abandone o medo! O medo foi inconscientemente adquirido por você na sua infância; agora, abandone-o conscientemente e amadureça. E, então, a vida pode ser uma luz que vai se aprofundando à medida que você vai crescendo".

TEMPOS DOS RESILIENTES

::Maurício Figueiredo::



Mais do que ser competente, eficiente e eficaz, antever os problemas e ser proativo, hoje o diferencial do profissional é ser resiliente. Veja a razão e aprenda como desenvolver esta característica na vida pessoal e profissional

Quase sempre me pego entre os encantos e devaneios do mundo de hoje, porém, nem sempre chego a uma conclusão. Ainda assim, tenho a convicção da grande dificuldade que o ser humano contemporâneo tem em lidar com suas frustrações.

Como sempre digo, pensar os problemas e as dificuldades tem sido uma tarefa fácil aos pensadores. No entanto, acredito na busca das soluções por meio da resiliência – uma difícil estratégia de equilíbrio.

A resiliência é um termo advindo da física e traz em sua essência a ideia de que uma estrutura elástica tem a capacidade de ser deformada ou esticada, voltando sempre a sua forma original. Para nós psicólogos, esta é a grande habilidade que o ser humano deve ter para administração de situações de conflitos e crises nos dias de hoje.

Alguém resiliente é capaz de passar por grandes momentos de dificuldade, tais como: traumas, situações estressantes, conflitos e crises dos mais diferentes tipos. O resiliente consegue sair destas situações positivamente transformado, como se tivesse atravessado o “inferno” e retornado de lá melhor estruturado.

É impressionante a quantidade de situações frustrantes e de conflitos que conseguimos administrar. Ser competente, eficiente e eficaz, antever os problemas e ser proativo são apenas algumas das características que, atualmente, são fundamentais para que sejamos bons profissionais. Mas, o que realmente tem sido um diferencial é a capacidade de resiliência que uma pessoa pode ter.

Mas talvez a complexidade em ser resiliente esteja nos elementos que a estruturam, muito mais do que na ação em si. Uma das principais características do resiliente é quanto a sua auto-estima, a qual não privilegia suas capacidades, mas a compreensão de suas limitações, fazendo com que exista um equilíbrio das forças, aliado a satisfação de suas próprias cobranças pessoais.

O desequilíbrio entre auto-estima e cobrança pessoal pode ser o grande desencadeador de conflitos, ou em alguns casos, até de patologias do psiquismo. Possivelmente a melhor estratégia para alcançar este equilíbrio seja a busca pela flexibilidade, não frente aos comportamentos do outro, mas sim a sua própria forma de agir no mundo.

Compreendendo isto como um fato, o passo seguinte é estabelecer relações humanas mais favoráveis, onde o dar e receber se torne natural e não apenas uma obrigação social ou mesmo uma estratégia formalizada. Ao entendermos que lidamos com pessoas e não com processos ou procedimentos, internalizamos outras possibilidades, as quais nos dão acesso a uma maior gama de ações na solução dos conflitos.

Buscar um pensamento independente é a próxima instância após percebermos a ampliação do universo no qual estamos inseridos. Ao pensarmos em um contexto profissional, a quantidade de variáveis que surgirão ao adequarmos nossas relações humanas nos criará novos papéis e possibilidades, que se não nos permitirmos pensar, toda ação irá por terra. Confira abaixo algumas dicas para se manter resiliente:

Mantenha a mente aberta.
Não se esqueça de manter o bom humor, pois este ingrediente é o diferencial dos vencedores. Quem alimenta o ódio e o rancor, além de não alcançar seus objetivos, corre o risco de adoecer precocemente.

Busque perceber o tempo todo seus próprios sentimentos, pois desta maneira não será pego de surpresa por momentos incontroláveis. Aproveite e esteja atendo aos sentimentos das pessoas a sua volta, pois esta poderá ser sua “arma secreta” para evitar conflitos.

Mantenha-se sempre compromissado com a vida, vivendo plenamente seus planos e objetivos, podendo ressignificá-los a qualquer tempo, ou seja, refazer seus projetos.

Por fim acredito em três princípios básicos para a vida, os quais também servem aos resilientes:

Priorize-se – você em 1º lugar pode fazer bem ao mundo todo!

Recomece sempre – você sempre pode reescrever a sua própria história.

Nunca desista – sempre há uma saída.



Pessoas resilientes: são aquelas capazes de suportarem crises e transformá-las em oportunidades. O conceito de resiliência “é a propriedade pela qual a energia armazenada em um corpo deformado é devolvida quando cessa a tensão causadora da deformação elástica”.

ALGUNS TERMOS DA PSICOPEDAGOGIA


Termos e significados usados na psicopedagogia e áreas afins


O conhecimento de alguns termos é de fundamental importância para profissionais da área de educação e saúde mental. Pensando nisso selecionamos abaixo alguns termos para que possam servir de consulta. Não é nossa intenção explanar sobre cada um deles, mas apresentar apenas um breve significado. Cabe ao profissional buscar outras fontes para se aprofundar sobre causas, sintomas e tratamentos.

* Aprendizagem - É o resultado da estimulação do ambiente sobre o indivíduo já maturo, que se expressa diante de uma situação-problema, sob a forma de uma mudança de comportamento em função da experiência.

* Agnosia - Etimologicamente, a falta de conhecimento. Impossibilidade de obter informações através dos canais de recepção dos sentidos embora o órgão do sentido não esteja afetado. Ex. a agnosia auditiva é a incapacidade de reconhecer ou interpretar um som mesmo quando é ouvido. No campo médico está associada com uma deficiência neurológica do sistema nervoso.

* Afasia - Perda da capacidade de usar ou compreender a linguagem oral. Está usualmente associada com o traumatismo ou anormalidade do sistema nervoso central. Utilizam-se várias classificações tais como afasia expressiva e receptiva, congênita e adquirida.

* Agrafia - Impossibilidade de escrever e reproduzir os seus pensamentos por escrito.

* Alexia - Perda da capacidade de leitura de letras manuscritas ou impressas.

* Anamnese - Levantamento dos antecedentes de uma doença ou de um paciente, incluindo seu passado desde o parto, nascimento, primeira infância, bem como seus antecedentes hereditários.

* Anomia - Impossibilidade de designar ou lembrar-se de palavras ou nome dos objetos.

* Anorexia - Perda ou diminuição do apetite.

* Anoxia - Diminuição da quantidade de oxigênio existente no sangue.

* Apnéia - Paragem voluntária dos movimentos respiratórios: retenção da respiração.

* Apraxia - Impossibilidade de resposta motora na realização de movimento com uma finalidade. A pessoa não realiza os movimentos apesar de conhecê-lo e não ter qualquer paralisia.

* Ataxia - Dificuldade de equilíbrio e de coordenação dos movimentos voluntários.

* Autismo - Distúrbio emocional da criança caracterizada por incomunicabilidade. A criança fecha-se sobre si mesma e desliga-se do real impedindo de relacionar-se normalmente com as pessoas. Num diagnóstico incorreto pode ser confundido com retardo mental, surdo-mudez, afasia e outras síndromes.

* Bulimia - Fome exagerada de causa psicológica.

* Catarse - Efeito provocado pela conscientização de uma lembrança fortemente emocional ou traumatizante até então reprimida.

* Catatonia - Síndrome complexa em que o indivíduo se mantém numa dada posição ou continua sempre o mesmo gesto sem parar. Persistência de atitudes corporais sem sinais de fadiga.

* Cinestesia - Impressão geral resultante de um conjunto de sensações internas caracterizado essencialmente por bem-estar ou mal-estar.

* Complemento (Closure) - Capacidade de reconhecer o aspecto global, especialmente quando uma ou mais partes do todo está ausente ou quando a continuidade é interrompida por intervalos.

* Consciência fonológica - Denomina-se consciência fonológica a habilidade metalinguística de tomada de consciência das características formais da linguagem. Esta habilidade compreende dois níveis:

1. A consciência de que a língua falada pode ser segmentada em unidades distintas, ou seja, a frase pode ser segmentada em palavras; as palavras, em sílabas e as sílabas, em fonemas.
2. A consciência de que essas mesmas unidades repetem-se em diferentes palavras faladas (rima, por exemplo).

* Coordenação viso-motora - É a integração entre os movimentos do corpo (globais e específicos) e a visão.

* Disartria - Dificuldade na articulação de palavras devido a disfunções cerebrais.

* Discalculia - Dificuldade para a realização de operações matemáticas usualmente ligadas a uma disfunção neurológica, lesão cerebral, deficiência de estruturação espaço-temporal.

* Disgrafia - Escrita manual extremamente pobre ou dificuldade de realização dos movimentos motores necessários à escrita. Esta disfunção está muitas vezes ligada a disfunções neurológicas.

* Dislalia - É a omissão, substituição, distorção ou acréscimo de sons na palavra falada.

* Dislexia - Dificuldade na aprendizagem da leitura, devido a uma imaturidade nos processos auditivos, visuais e tatilcinestésicos responsáveis pela apropriação da linguagem escrita.

* Disortografia - Dificuldade na expressão da linguagem escrita, revelada por fraseologia incorretamente construída, normalmente associada a atrasos na compreensão e na expressão da linguagem escrita.

* Disgnosia - Perturbação cerebral comportando uma má percepção visual.

* Dismetria - Realização de movimentos de forma inadequada e pouco econômica.

* Dispnéia - Dificuldade de respirar.

* DSM IV - É a classificação dos Transtornos mentais da Associação Americana de Psiquiatria. Descreve as características dos transtornos apresentando critérios diagnósticos. Ver o DSM IV no site psiqueweb: http://gballone.sites.uol.com.br/

* Ecolalia - Imitação de palavras ou frases ditas por outra pessoa, sem a compreensão do significado da palavra.

* Ecopraxia - Repetição de gestos e praxias.

* Enurese - Emissão involuntária de urina.

* Esfíncter - Músculo que rodeia um orifício natural. Em psicanálise, na fase anal está ligado ao controle dos esfíncteres.

* Espaço-temporal - orientar-se no espaço é ver-se e ver as coisas no espaço em relação a si próprio, é dirigir-se, é avaliar os movimentos e adaptá-los no espaço. É a consciência da relação do corpo com o meio.

* Etiologia - Estudo das causas ou origens de uma condição ou doença.

* Figura fundo - Capacidade de focar visivelmente ou aditivamente um estímulo, isolando-o perceptivamente do envolvimento que o integra. Ex. identificar alguém numa fotografia do grupo ou identificar o som de um instrumento musical numa melodia.

* Gagueira ou tartamudez - distúrbio do fluxo e do ritmo normal da fala que envolve bloqueios, hesitações, prolongamentos e repetições de sons, sílabas, palavras ou frases. É acompanhada rapidamente por tensão muscular, rápido piscar de olhos, irregularidades respiratórias e caretas. Atinge mais homens que mulheres.

* Gnosia - Conhecimento, noção e função de um objeto. Segundo Pieron toda a percepção é uma gnosia.

* Grafema - Símbolo da linguagem escrita que representa um código oral da linguagem.

* Hipercinesia - Movimento e atividade motora constante e excessiva. Também designada por hiperatividade.

* Hipocinesia - Ausência de uma quantidade normal de movimentos. Quietude extrema.

* Impulsividade - Comportamento caracterizado pela ação de acordo com o impulso, sem medir as conseqüências da ação. Atuação sem equacionar os dados da situação.

* Lateralidade - Bem estabelecida - implica conhecimento dos dois lados do corpo e a capacidade de os identificar como direita e esquerda.

* Linguagem interior - O processo de interiorizar e organizar as experiências sem ser necessário o uso de símbolos lingüísticos. Ex.: o processo que caracteriza o analfabeto que fala, mas não lê nem escreve.

* Linguagem tatibitate - É um distúrbio (e também de fonação) em que se conserva voluntariamente a linguagem infantil. Geralmente tem causa emocional e pode resultar em problemas psicológicos para a criança.

* Maturação - É o desenvolvimento das estruturas corporais, neurológicas e orgânicas. Abrange padrões de comportamento resultantes da atuação de algum mecanismo interno.

* Memória - Capacidade de reter ou armazenar experiências anteriores. Também designada como "imagem" ou "lembrança".

* Memória cinestésica - É a capacidade da criança reter os movimentos motores necessários à realização gráfica. À medida que a criança entra em contato com o universo simbólico (leitura e escrita) vão ficando retidos em sua memória os diferentes movimentos necessários para o traçado gráfico das letras.

* Morfema - É a menor unidade gramatical. Na palavra infelicidade encontramos três elementos menores cada um chamado de morfema: in (prefixo), felic (radical), idade (sufixo). Os morfemas são utilizados para construir outras palavras: o prefixo in é utilizado em outras palavras como invariável, invejável, inviável, por exemplo.

* Mudez - É a incapacidade de articular palavras, geralmente decorrente de transtornos do sistema nervoso central, atingindo a formulação e a coordenação das idéias e impedindo a sua transmissão em forma de comunicação verbal. Em boa parte dos casos o mutismo decorre de problemas na audição. Os fatores emocionais e psicológicos também estão presentes em algumas formas de mudez. Na mudez eletiva a criança fica muda com determinadas pessoas ou em determinadas situações e em outras não.

* Paratonia - É a persistência de uma certa rigidez muscular, que pode aparecer nas quatro extremidades do corpo ou somente em duas. Quando a criamnça caminha ou corre, os braços e as pernas se movimentam mal e rigidamente.

* Percepção - processo de organização e interpretação dos dados que são obtidos através dos sentido.

a) Percepção da posição - do tamanho e do movimento de um objeto em relação ao observador.

b) Percepção das relações espaciais - das posições a dois ou mais objetos.

c) Consistência perceptiva - capacidade de precisão perceptiva das propriedade invariantes dos objetos como, por exemplo: forma, posição, tamanho etc.

d) Desordem perceptiva - Distúrbio na conscientização dos objetos, suas relações ou qualidade envolvendo a interpretação da estimulação sensorial.

e) Deficiência perceptiva - Distúrbio na aprendizagem, devido a um distúrbio na percepção dos estímulos sensoriais.

f) Perceptivo-motor - Interação dos vários canais da percepção como da atividade motora. Os canais perceptivos incluem: o visual, o auditivo, o olfativo e o cinestésico.

g) Percepção visual - Identificação, organização e interpretação dos dados sensoriais captados pela visão.

h) Percepção social - Capacidade de interpretação de estímulos do envolvimento social e de relacionar tais interpretações com a situação social.

* Preservação - Tendência de continuar uma atividade ininterruptamente; manifesta-se pela incapacidade de modificar, de parar ou de inibir uma dada atividade, mesmo depois do estímulo causador ter sido suprimido.

* Problemas de aprendizagem - São situações difíceis enfrentadas pela criança com um desvio do quadro normal mas com expectativa de aprendizagem a longo prazo (alunos multirrepetentes).

* Praxia - Movimento intencional, organizado, tendo em vista a obtenção de um fim ou de um resultado determinado.

* Rinolalia - Caracteriza-se por uma ressonância nasal maior ou menor que a do padrão correto da fala. Pode ser causada por problemas nas vias nasais, vegetação adenóide, lábio leporino ou fissura palatina.

* Ritmo - Habilidade importante, pois dá à criança a noção de duração e sucessão, no que diz respeito à percepção dos sons no tempo. A falta de habilidade rítmica pode causar uma leitura lenta, silabada, com pontuação e entonação inadequadas.

* Sincinesia - É a participação de músculos em movimentos aos quais eles não são necessários. Ex.: coloca-se um objeto numa mão da criança e pede-se que ela aperte, a outra mão também se fechará ao mesmo tempo. Ficar sobre um só pé, para ela é impossível. Há descontinuidade nos gestos, imprecisão de movimentos nos braços e pernas, os movimentos finos dos dedos não são realizados e, num dado ritmo, não podem ser reproduzidos através de atos coordenados, nem por imitação.

* Sintaxe - Parte da gramática que estuda a disposição das palavras na frase e a das frases no discurso , bem como a relação lógica das frases entre si e a correta construção gramatical ; construção gramatical (Dicionário Aurélio)

* Sinergia - Atuação coordenada ou harmoniosa de sistemas ou de estruturas neurológicas de comportamento.

* Somestésico - Relativo à sensibilidade do corpo.



Bibliografia:

FONSECA, Vitor - Escola. Quem és tu? Porto Alegre: Artes Médicas, 1993.

ASSUNÇÃO, Elisabete da. COELHO, Maria Teresa. Problemas de aprendizagem. São Paulo, SP: Editora Ática, 2002.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

LIDERANÇA E COMPETÊNCIA NAS ORGANIZAÇÕES EDUCACIONAIS

Por Francisco Gomes de Matos para o RH.com.br

Ao examinar a escola, sob o foco da educação, é imprescindível destacar-se algumas diretrizes básicas:

1. A escola é um centro de educação. O ensino é um meio e um recurso educacional.
É comum a distorção em querer identificar Educação com escolaridade e ensino, numa linha formal, racional, mecanicista, em que alfabetizar, instruir e profissionalizar tornam-se mais relevantes que incorporar valores.

2. A escola que pensa formar, deforma. Seu conceito é dinâmico e não estático.
A função da escola é desenvolver o potencial de liderança que existe em todo o ser humano. Não cabe à escola ser uma forma, mas uma alavanca. Para tanto, a escola deve tornar-se uma Comunidade Vivencial de Aprendizagem e Liderança, explicitando o conceito de que Ser Líder é Ser Líder de Líderes - todos têm condições de exercer influência na construção do bem coletivo - dirigentes, professores, orientadores, auxiliares, alunos e pais. A integração sistêmica desses personagens no contexto pedagógico-organizacional é relevante à sinergia e aos resultados.

O grande problema das organizações - e o da escola - é a relação fragmentada do poder. No caso da organização escolar, as lideranças dispersas em ilhas formam um arquipélago organizacional, onde cada um cumpre burocraticamente seu papel.

Na linha de cultura corporativa, são os valores consensuais - aceitos por todos como verdades comuns - que integram efetivamente lideranças e liderados e não tecnologias educacionais, que apenas instrumentam a ação pedagógica.

Aquela professorinha, semi-alfabetizada, em rincão pobre e afastado da metrópole, que reúne crianças ao chão em torno de uma lousa improvisada, sob a árvore, certamente realiza um ensino precário, mas, nas circunstâncias, uma ótima educação inicial. Transmite valores, muito mais que letras e números. A escola é um agente transformador, na linha de expansão do Ser e do Saber.

3. Na escola o aluno aprende a pensar. Essa a sua função essencial: desenvolver a inteligência reflexiva.
A escola é um Centro de Desenvolvimento de Pensadores. Em recente debate, na televisão, assistimos educadores tentando definir a concepção de "Escola Ideal", focando-a na linha de métodos e tecnologias de ensino, como quem tem apenas por missão "entregar uma mercadoria: o conhecimento".

No nosso entendimento, a Escola Ideal:
- Desenvolve Pensadores - com visão crítica de mundo e da realidade, distante e próxima.
- Desenvolve a Cultura da Integração - cria as condições psicossociais e organizacionais para a intercomunicação e sinergia de todos os envolvidos no processo educacional.
- Desenvolve o Amor - a solidariedade como base do relacionamento e da convivência grupal. Não há educação sem amor, vivenciado como princípio da ordem.
- Desenvolve a Felicidade - o sentido de realização pessoal na contribuição à realização social.
- Desenvolve o perfil do estrategista/renovador - a visão construtiva e transformadora da sociedade.
- Desenvolve o Empreendedor - as habilidades em transformar ideias em realizações criativas.
- Em síntese, significa desenvolver líderes.

Muitos dirigentes escolares imaginam e agem por uma premissa inconsciente de que a escola seria uma maravilha, caso não tivesse nem professor, nem aluno. Abominam questionamentos incômodos.

Mas, pensar é questionar.
Pensar é analisar criticamente uma situação e decidir.
Portanto, pensar é educar para a liberdade e a responsabilidade, pois é a capacidade de decidir que define a maturidade.
A escola é isso: um centro experimental do pensamento em busca à maturidade.


Identificamos como pontos fortes no âmbito escolar:


1 - Disponibilidade de espaço e tempo para ouvir alunos e professores - sistema de portas abertas. E que os professores, principalmente, aprendam a ouvir os alunos.

2 - Clima de receptividade e compreensão entre dirigentes, técnicos, professores, auxiliares e alunos, desenvolvendo o sentimento e a convicção de que constroem juntos uma nova realidade.

3 - Efetivo envolvimento dos alunos em atividades extracurriculares relevantes - aprende-se, muitas vezes, mais educação nos corredores do que nas salas de aula.

4 - Possibilidades dos professores intercambiarem experiências, evitando-se as situações típicas de isolamento: cada professor na "sua", mal se conhecem.

5 - Transformação da sala de aula em ambiente prazeroso. A sala de aula é um centro de convergência educacional: antropológico, psicológico, assistencial e recreativo. Nada a ver com indisciplina, desrespeito, confusão. Uma relação respeitosa é fruto da confiança mútua, da autoridade aceita e não imposta.

6 - A relação professor/aluno implica estabelecer "contratos pedagógicos" com alunos tidos como "indisciplinados", envolvendo-os em tarefas específicas de interesse comum ao grupo - pesquisas, serviços, compromissos.

Tais práticas previnem o preconceito, que leva muitas escolas e professores a desprezar o "aluno-problema". É vital corrigir a cultura dividida: de um lado o professor sacrificado, do outro o aluno rebelde. É uma guerra. Quando as expectativas são negativas, só haverá negatividades como respostas.

O professor é o agente educacional básico, pois é ele quem interage com o aluno quase o tempo todo. Por paradoxo, o magistério, em geral, não recebe a consideração merecida e, por frustração, reage inconscientemente, adotando atitudes incompatíveis às suas funções.

Entre essas é marcante o uso incorreto do poder, em que se posiciona como detentor absoluto do conhecimento, exercendo-o com autoritarismo. Nesse sentido, torna-se um disciplinador. Quer ser ouvido, não ouvir.

7 -
Ensino dinâmico é participativo, devendo superar o contraste frequente entre a vida externa intensa do aluno, cheia de estímulos - televisão, internet - e a monotonia do ambiente escolar.

8 - Todavia, mais importante - mais, mesmo! - do que o computador e o vídeo na sala de aula é a situação relacional, motivadora, entre professor e alunos e estes entre si. Isso acontece com projetos comuns e de estímulo à participação criativa.

Manifestação entusiástica de um aluno: "Tivemos hoje uma ótima aula de matemática: discutimos futebol". A relação amistosa cria ambiente motivador à aprendizagem, mesmo para as questões numéricas.

9 -
Preparação de líderes para atividades comunitárias, internas e externas, com a prática do voluntariado.

10 - É de se lamentar o inexplicável declínio do escotismo e do bandeirantismo - não substituídos - que foram verdadeiras escolas de cidadania e solidariedade. É imprescindível pensar em atividades sucedâneas, adaptadas ao nosso tempo.

11 - Convicção, pelo aluno, de que faz parte viva da comunidade escolar, onde sua presença é considerada e seus feitos pessoais são reconhecidos - o bom desempenho, o seu aniversário, o torneio de futebol ou de tênis que ganhou, a participação numa obra meritória, a poesia ou conto que produziu.

12 - O item mais importante: - que dirigentes, técnicos, professores, alunos tenham um espaço de reflexão - o que denominamos em nossos trabalhos de consultoria como "Comitê Estratégico", onde possam construir e exercitar pensamento, verdades e vontades comuns na linha de uma efetiva integração estratégica.

Não se pode pensar numa escola - de qualquer nível - sem Planejamento Educacional Estratégico, elaborado de maneira participativa e sinérgica.

Conclusões

As escolas não são máquinas de ensino. O papel de liderança do professor é fundamental para reverter a situação mecanicista que ainda predomina em nossas escolas. Mas para isso é necessária mudança na cultura organizacional, para criar clima motivador à participação e à criatividade.

Em Berthold Brecht , "Galileu, Galilei", há a exclamação: "Veja, algo difícil de entender: - um professor que quer aprender".
Mas, estou convencido de que os professores são mais vítimas que atores de uma cultura utilitarista.

É urgente redescobrir ou reinventar a escola que educa e integra. Não aquela "preparatória de vestibular" ou de "especialistas tecnocráticos e individualistas" que estimula a "competitividade predatória" e o "vencer-vencer", frustrante e arrasador, pois antipedagógico.

Escolas são organizações sócio-educacionais, não fábricas de individualismos. A boa escola não é a que proporciona tão somente o ensino de habilidades para o mercado, mas a que torna essas qualificações expressão e consequência de uma forte Motivação à Vida.

O aluno não deve ser induzido a estudar por obrigação, pressionado ao rendimento compulsivo, do qual resulta o efeito cumulativo de informações e pouco conhecimento efetivo e quase nula sabedoria no aplicar.

O aluno compulsivo, estimulado pela escola desvirtuadora da autêntica aprendizagem, torna-se depositário de informações, não do saber.

Henry Ford, em seu livro "Minha Vida, Minha Obra", conta a frustração do indiano ao voltar à sua pátria, depois de concluído seus estudos na Inglaterra: - "cursei as melhores universidades, investi muito em minha preparação e agora estou aqui, de mãos vazias, sem saber o que fazer pelo meu povo".

Um belo exemplo do ensino que forma o profissional e não o pensador estratégico. A educação desenvolve a pessoa para a vida, para a sociedade e para o trabalho.

A competência da escola firma-se na visão e ação estratégica com foco na plena valorização da pessoa humana, considerada em todo o seu universo relacional: professores, orientadores, família, trabalho, comunidade.

A incompetência camuflada, em exteriorizações burocráticas de poder e de intitulações acadêmicas formais, é fonte de injustiças e infelicidade. Só a competência, aliada à liderança e à motivação é construtiva, pois gera sinergia, produtividade e melhores condições de vida.

Nesse sentido, desenvolvemos regularmente consultoria de cultura, liderança e estratégia através dos seguintes instrumentos:

- Constituição do Comitê Estratégico, reunindo as lideranças para pensar e repensar estrategicamente a escola.

- Realização da Oficina de Liderança, para preparar os líderes para o exercício do pensamento estratégico, na concepção do Líder como Líder de Líderes e treinar suas habilidades específicas.

- Realização de pesquisa de valores e de clima motivacional, para detectar indicadores de desintegração e de insatisfações.

- Realização periódica do Fórum de Reflexão Estratégica para o levantamento e a validação de diagnósticos e das linhas de ação estratégicas à base dos instrumentos "Balanço Situacional" e "Mapa de Formulação da Estratégia".

- Elaboração participativa do Planejamento Estratégico.

O Planejamento Estratégico da escola, realizado a varias mãos, é um excelente fator de integração, além de imprescindível diretriz para direcionar ações a objetivos e resultados.

Uma escola competente integra lideranças, competências e motivações. Cria uma cultura de participação e criatividade. Está aberta à comunidade, a intercâmbios enriquecedores, às vivências de situações-desafio. É aquela escola "risonha e franca", de que fala o poeta. E põe muita poesia nisso, pois o sonho e a beleza são fundamentais.

Uma escola que sonha, que pensa, que é feliz completa-se e se reabastece na espiritualidade.
- Escola espiritualizada é a que vê no aluno, mais do que o fenômeno ensino/aprendizagem, o ser pleno.

- Plenitude do ser humano está em integrar quatro pólos existenciais simultâneos: espírito, amor, trabalho e lazer.

Ser transcendente, incorporar valores, dar dimensão superior e estratégica às suas ações, é parte essencial da função escolar. O homem não é máquina, é eterno. Não estamos falando de religiosidade, mas de espírito, de uma escola com alma.

E ao se descobrir como tal, amplia-se sua responsabilidade, mas sua missão torna-se leve, por sua transparência. O foco, clarificado em objetivos consensuais leva todos a se empenharem na direção certa.

São valores superiores, transcendentes, que mobilizam espírito, alma, vontade, cérebros e braços à ação solidária, como garantia de perpetuidade de qualquer tipo de organização.

É preciso: Pessoas em Renovação, numa Escola em Renovação Contínua.